13.5.12

Só as mães são felizes


09/05/2010


E de repente, um pedacinho de você muda completamente a sua vida.  Tarefa difícil essa de ser mãe, viu?
Começa quando os hormônios enlouquecem, você fica irritada, sensível, chora, se cansa, sente "um sono", "uma fome", vontade de comer coxinha de galinha às 7 da manhã, desmaia em plena Praça XV.

E faz dietas, e faz exames, e faz excercícios. E lê e pesquisa e questiona. E procura médicos, procura hospitais, procura profissionais mais alinhados com o que você acredita. E escolhe métodos, conceitos, partos. Corre atrás de enxoval, reforma o quarto, compra bichinhos de pelúcia e roupas vários números maiores que o normal.
No grande dia, tudo novo. Ansiedade, dores fortes, massagens, água, senta em bola suiça, caminha, acocora, chora, aperta. Banheira, água quente, FAZ FORÇA! Nasceu!

De repente, acaba a dor, e uma criança estranha aparece no seu colo. Suja de sangue, de gosminha branca, um bebê pequenino, choroso, assustado. As pessoas riem, choram: é uma festa. Você sente alívio, sente sabe-deus-o-quê! Tem que aprender a dar banho, trocar fraldas. Se acostumar com um bebê sugando seu seio.

Acordar a noite, dar colo, fazer dormir, cantar canções de ninar. Levar para a vacina, para o pediatra, aprender a fazer papinha, comprar mais roupas - porque as antigas não dão mais, mais pomada, mais fralda. O que será q ela tem? Por que não para de chorar? Perdeu o choro, e agora? Passar noites em claro, ler as revista, pesquisar na internet, se desesperar, dar remédio pra febre, acordar cedo para o banho de sol.

De uma hora pra outra, está sentando. Depois engatinhando. Depois andando e desarrumando as gavetas, caindo da cama, mexendo em tudo o que vê, colocando na boca peças miúdas que você jamais se deu conta que existam, e se engasgando.

E agora já está andando, correndo, subindo as escadas, as janelas, pulando. Falando "mama"..."papa"..."qué"...."não". Não, não não. Não quero tomar banho! Não quero comer! Não quero dormir! Não quero ir no colo dele! Não..

E vamos aprender a ir no penico. Vamos parar de mamar. Vamos aprender a passear na rua andando e não no colo. E entra na escola, mochila, lanchinho, uniforme, festinha, trabalhinho, mensalidade. Plano de saúde, uma cômoda maior. Sai do cadeirão pra mesa, aprende a comer sozinho (e sujar a casa de comida).
Pega suas roupas, seus sapatos, sua maquiagem, rasga as revistas, destrói os porta-retratos, abre a geladeira, espalha os cds, desliga a TV, mexe na louça.
2 aninhos e já sabe usar o computador!

Não te deixa sair, chora, pede pra ir junto, pede pra vc não ir. "Não vai trabalhar", "não vai pra faculdade", "fique aqui comigo", "brinque comigo", "dorme comigo", "me dá banho", "me dá papa".

E a medida que vai crescendo a gente vai percebendo cada mudança de feição, o cabelo maior, o sorriso aos poucos se enchendo de dentes, o corpinho se desenvolvendo. A gente vê gerações da nossa família, da dele, as misturas, a nossa infância. E pensa como é incrível uma vida sair de dentro de você e se desenvolver a cada dia, tão rápido quanto a velocidade da luz. Quando você vê, já passou e tudo o que você tem são lembranças de um tempo em que você não via a hora do trabalho árduo acabar. E se dá conta de que isso é ilusão. Apenas muda o tipo de trabalho, de preocupação, de responsabilidades. E a cada período difícil, também é mais gostoso o desenvolvimento, as pequenas conquistas, o serzinho aprendendo a viver e "se virar" sozinho, as alegrias que não acabam mais. Aprende a ler, a se vestir, a tomar banho. Começa a brincar com os amiguinhos e não quer você por perto. Começa a ter seus pequenos segredos, suas pequenas fantasias e a perguntar o porquê de tudo. Quer fazer tudo sozinho. E você começa a sentir saudade do tempo em que você era quem fazia tudo para eles, enquanto o cordão umbilical vai sendo lentamente cortado. E os castigos, as malcriações, as mentirinhas e a noção de que muito do que faz não é reconhecido. Mas você tolera, porque você ama e porque, na verdade, aquele ali é um reflexo de você: do que você foi, do que você é.

Mesmo que às vezes ausentes, às vezes frustradas, às vezes cansadas, só mesmo as mães são felizes.



Esta crônica veio a ser publicada na edição 12 da Revista Cultural Novitas, em 2011. 
Link: http://revistasnovitas.com.br/2011/10/revista-cultural-n12-contos/

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12.5.12

“é sexta-feira, amor”



“Se as pessoas comemoram toda semana a sexta-feira, é porque o resto dos dias não são bons”, explica Cícero , via Melody Box, o mote da música "Ponto Cego", que fecha o seu elogiado CD de estreia, Canções de Apartamento e que ganhou um interessante clipe gravado no centro do Rio, onde tipos incomuns interferem no meio de uma multidão tão indiferente que não os enxerga realmente. A câmera se concentra nos detalhes, nos pequenos pontos vermelhos que se destacam rapidamente na multidão e mostram cenas inusitadas como um executivo apressado de cueca ou uma noiva que não se sabe se está fugindo do casamento ou atrasada para ele e talvez a cena mais irônica seja a que mostra a "Menina do outro clipe" (Letícia Colin) reconhecendo Cícero, quando ambos cruzam a movimentada Avenida Rio Branco. Um detalhe mais original do que a ideia - ainda que bela - da figura do palhaço. 




Eu estive na gravação como uma das estátuas (contei a experiência aqui) e posso ser vista de costas em algumas cenas rápidas (blusa xadrez, bolsa vermelha). Também conversei com a co-diretora, Debora Indio do Brasil, que conversou comigo sobre a ideia e realização do vídeo ("Esse refrão 'é sexta-feira, amor', ele passa uma coisa que na verdade as pessoas entendem errado. Não é uma celebração; é uma coisa áspera, uma coisa irônica") e ainda cedeu algumas fotos exclusivas (aqui). De minha parte, gostei bastante do resultado e torço para que a música - uma das melhores do CD - ganhe ainda mais força com a ajuda do vídeo.

E você? Já parou para observar o caos passando? Assista:



Ficha Técnica
Desenvolvimento: Arpoador Comunica Filmes
Direção: Caró Vilares / Debora Indio do Brasil
Assistente de Direção: Ligia Turl
Direção de Fotografia: Grécia Falcão / Felipe Romano
3a Câmera: Lara Lima
Produção: Amanda Lima
Assistente de Produção: Lucas Maciel / Yzadora Monteiro
Direção de Arte: Bruno Heitor
Figurinista: Isabella Cardoso
Maquiagem e Cabelo: Gabriela Figueira
Som direto: Fabio Carneiro Leão
Realização e Produção: Arpoador Comunica Filmes
Patrocínio: Melody Box
Apoio: Alfa Bottons

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9.5.12

"Guardian", primeiro single do novo álbum de Alanis Morissette






Com o lançamento do sétimo álbum de estúdio "Havoc and Bright Lights" - e primeiro fora da Maverick/Warner -, previsto para o segundo semestre, Alanis Morissette finalmente quebra a pausa de quatro anos desde "Flavors of Entanglement". O disco surge depois de várias mudanças na vida da cantora que além de romper com a antiga gravadora, também se casou com o rapper Souleye e teve um filho, Ever Imre, nascido no final de 2010. Para Alanis, que chegou a cantar "Um dia eu estarei em paz/ Estarei esclarecida/ E estarei casada, com filhos/ e talvez adote" (Incomplete; Flavors of Entanglement), tais mudanças foram tão inspiradoras que durante este hiato chegou a gravar uma música para o marido, chamada "Into a King" e uma para o pequeno Ever, "Magical Child", que liberou recentemente para a coletânea da Starbucks "Every Mother Counts", criada para prevenir mortes maternas e que doará $8,00 de cada cópia para programas de saúde materna em todo o mundo. 


Aproveitando o período de resguardo, Alanis compôs e gravou seu novo álbum, em um estúdio temporário que montou na sua própria casa, para que pudesse amamentar. Além da maternidade, outros temas abordados no novo álbum da cantora são as questões político-sociais, a espiritualidade, a cultura pop e a fama. Em entrevista à Rolling Stone, Alanis explicou que a faixa "Celebrity" foi "inspirada em pessoas específicas, das quais jamais falarei sobre, porque seria rude. Se eu gosto da ideia da inveja, vingança e todas essas tais qualidades obscuras? Sim. Se eu escrevo essas músicas para entrar em alguma guerra pública com alguém? Não. E ainda, como toda canção que já escrevi, eu também estou implicando comigo mesma. Não estou apenas apontando o dedo para outra pessoa." 
O primeiro single, "Guardian", será lançado pelo iTunes no próximo dia 15/05, quatro dias após chegar às rádios. No entanto, a música já vazou na internet (ouça abaixo). Em seu site, Alanis escreveu: "[Estou] muito empolgada em compartilhar esta [música] com vocês. O maior oferecimento e aspiração dentro de qualquer relacionamento, pra mim, é a sabedoria de combinar proteção, compromisso, vulnerabilidade, tenacidade, ternura, constância, empatia, reciprocidade, deliberação, inocência, presença, coragem, oferecimento de liberdade e a beleza da humanidade ao mesmo tempo. Esta música fala sobre este compromisso tanto com meu querido filho quanto a minha criança interior"





Alanis Morissette - Guardian by João Heriberto

O álbum foi produzido por Guy Sigsworth, que trabalhou com a cantora em seu último álbum e também produziu artistas como Madonna, Björk e Britney Spears. "Havoc and Bright Lights" chegará às lojas no dia 28/08, através do Collective Sounds, uma divisão da companhia The Collective, focada em "criar e cultivar relações diretas entre fãs e artistas a fim de maximizar seus laços". Sobre o disco, Alanis declarou em release: "Este álbum, como sempre, é um retrato sobre o que me obceca no momento, o que me preocupa e o que me acorda às 4 da manhã nos meus momentos mais introspectivos. É meu comentário emocional, psicológico, social e filosófico através da música."

Confira a tracklist: 

"Guardian"
"Woman Down"
"'Til You
"Celebrity"
"Empathy"
"Lens"
"Spiral"
"Numb"
"Havoc"
"Win and Win"
"Receive"
"Edge of Evolution"



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3.5.12

o feminismo, a submissão de Mara e as princesas de Sarah Sheeva


A imagem acima chegou até mim via Facebook e mostra como ainda se mantém vivo e desejável por uma parcela de mulheres o pensamento conservador e moralista que se antes era uma imposição à todos os seres nascidos com o sexo feminino, hoje é uma escolha consciente que encontra reforço principalmente nos adeptos do protestantismo evangélico. Resquícios de um tempo não muito distante cujos protagonistas e seus substitutos ainda propagam este tipo de pensamento? Não sei. Mas mais assustador do que ver mulheres livres  e emancipadas pregando que não o feminismo não passa de um embuste e não devem nada a ele, são mulheres que não apenas também acreditam nisso mas nem ao menos livres querem ser. E livre aqui quer dizer autônoma. Preferem ver a si próprias como seres inferiores e incapazes de serem protagonistas tanto na vida social quanto no relacionamento afetivo. O maior erro, talvez, seja acreditar que necessariamente alguém precisa ser o "cabeça" de uma relação ou o "suporte" por trás desta cabeça. Aquela velha história da "grande" mulher por trás do "grande homem". 

Há pouco tempo a pastora Sarah Sheeva apareceu e diversas matérias na mídia com o seu "Culto das Princesas", onde prega um estilo de vida ilusório e distorcido, induzindo as mulheres a acreditarem que são "princesas" (nos moldes daquelas que só existem nos contos de fadas) e como tal não devem começar um relacionamento com beijo na boca (deve-se esperar no mínimo 8 meses orando e conversando com o pretendente) e sexo, obviamente, só depois do casamento. Homens que não estão dispostos a isto são "cachorros" e mulheres que não buscam um relacionamento duradouro, idem. Cai muito bem com a velha ideia de que sexo é perversão, de que os impulsos sexuais são fraquezas de espírito e serve ao argumento machista de que mulher que gosta de sexo não presta. Mas o mais interessante é que os argumentos de Sarah são convincentes porque ela usa da retórica feminista de que não apenas a mulher estaria assumindo o protagonismo da sua vida sentimental ( neste caso, em colocar regras e não ceder aos apelos masculinos) mas também se valorizando, em uma cultura onde a mulher é vendida como objeto de consumo e exposta aos mais diversos constrangimentos (vale ler o texto: A mulher careca e o desrespeito disfarçado de diversão: aqui). 

Dessa forma, como não raro acontece, as bandeiras dos movimentos político-sociais como o feminismo são esvaziadas e confundidas com o moralismo asséptico do chamado "politicamente correto", este hipócrita e geralmente calcado em preceitos religiosos que servem apenas para manter as rédeas do rebanho. Mas perceba que quando Sarah Sheeva aparece  vestida com roupas dos anos 50 dizendo que "Princesa moderna não usa rosa, usa azul" e que "Não uso decote, aqui não tem amostra grátis" (aqui), está se apropriando de debates feministas como o que a blogueira Lola Aronovich chamou de "Código Rosa", ("Mas, voltando à codificação do rosa: na Alemanha nazista, os prisioneiros gays eram identificados com um triângulo rosa. É horrível, mas o objetivo dos nazistas era bastante igual ao nosso: rotular para fácil identificação. É pra isso que a gente cobre um bebê de rosa, pra que ninguém corra o risco, nem por um segundo, de confundir a menina com um menino (e, principalmente, um menino com uma menina, já que o pior que pode acontecer na vida de um menino é ser confundido com menina.)", diz em seu post), e também o repúdio à mercantilização do corpo feminino, ignorando não apenas a influência de Coco Channel para o vestuário feminino, como a conscientização sobre a figura da mulher na sociedade, apenas para convencê-las a permanecerem presas ao antiquado papel de "moça de família". 

Em outras palavras, um retrocesso ao pensamento machista que imperou até meados dos anos 60, quando mulheres eram juridicamente vinculadas ao pai ou marido e, sendo propriedade deles, deveriam se dar ao respeito e não serem confundidas com as meretrizes que buscavam nas ruas. "A lei mudou (hoje vige a igualdade entre os sexos), mas as questões culturais e religiosas continuam presas aos moldes antigos, mantendo uma espécie de acordo tácito: mulheres são propriedade de um homem, e um homem de respeito não deve se meter na propriedade alheia. Pra isso, é necessário um código que defina a propriedade. Alianças de casamento (que só recentemente passaram a ser usadas por homens também), tratamento cerimonioso com colegas do sexo feminino que sabidamente sejam casadas ou comprometidas, “brincadeiras” sobre a necessidade de vigilância constante das mulheres casadas para que não pulem a cerca, e roupas e atitudes desejáveis para cada estado civil", escreveu a bacharel em direito Cynthia Semíramis, em seu blog.


Tal retrocesso encontra força nos numerosos círculos religiosos, cada vez mais presentes no nosso cotidiano e mais influentes politicamente, e pude testemunhar com meus próprios olhos ao ser convidada para um casamento em uma igreja evangélica em que para respeitar as tradições do noivo, não-evangélico, fizeram um ritual onde ao dividir um pão a parte do casal que ficasse com o maior pedaço seria aquela que guiaria a relação. A noiva conseguiu o pedaço maior, sob aplausos de aprovação e o pastor logo interveio descontraídamente dizendo que por ser tratar de um casamento cristão, obviamente que a esposa saberia cumprir suas funções (ou qualquer coisa do gênero, que me fez ficar estarrecida). Quando presenciamos uma situação como esta, fica muito mais fácil perceber que a submissão pregada por Mara é muito mais comum e está muito mais estabelecida do que parece e o que me preocupa é que o moralismo é tanto que leva a completa desvalorização do próprio gênero, fazendo com que uma mulher sinta-se feliz servindo como empregada, secretária e boneca inflável, pois acredita que, assim, estará cumprindo o seu papel. Algo que Simone de Beauvoir já havia nos alertado há muitos anos: não nascemos mulheres, mas nos tornamos mulheres; e isso significa que ao nascermos sob o sexo feminino estamos condenadas a ser o que a sociedade feita por homens e para homens quer que sejamos. Resta entender porque algumas mulheres ainda se contentam com isso.

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2.5.12

revirando o baú: 01

Eu os vi rodopiando e se balançando
Com sorrisos dementes nos rostos
Olhos virados e inconscientes
O corpo mole e a cabeça afetada
E não foi bom o que senti

Você me disse "adrenalina"
Mas não foi assim que eu vi
Adrenalina não havia alguma
Só tristeza
E prisão

O frasco parecia natural
E até os espíritos já estavam viciados
A fumaça não incomodou
E o álcool te fazia "voar"
E isso é tudo o que você quer

voar

Você me disse, uma vez
Mas eu não entendi
Perdeu a consciência
E sua mente ficou vazia
O corpo ficou fraco
A consciência ficou escura
E com cheiro de cerveja

O destino é não ter destino
Não ser é o objetivo
E tudo o que você quer
É voar

Todos querendo ser iguais
E você me diz que é divertido
E eu te digo que estou triste
E penso em que hora vai acabar

Você mentiu para si mesmo
Se aprisionando pra ser livre
A sua vida está cheirando a álcool
E eu não quero mais estar aqui

(06/2003)



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30.4.12

fantasia

- Sexo ou dinheiro? - perguntaram. Ele pensou durante um segundo e riu:

-Sexo.

Sozinha, na escuridão do seu quarto, ela gemeu de prazer.

Ele nunca saberia...


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apenas que:



Dá pra ficar vendo esse vídeo em looping. 



































thank u very much

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28.4.12

Sherlock



"Sherlock" é uma mini-série criada por Steven Moffat e Mark Gatiss (ambos de Doctor Who) com a intenção de atualizar o icônico detetive britânico. Se Conan Doyle concebeu o personagem como um homem moderno na sua época, por que não mostrá-lo como um homem moderno do século XXI? Pode parecer estranho o conceito: Sherlock Holmes é jovem e teve sua lupa substituída por uma lâmina de aumento, seu deerstalker por um cachecol, seu cachimbo por adesivos de nicotina. Também não possui um imenso arquivo, mas um notebook e, inclusive, tem um site chamado "A Ciência da Dedução". As cartas e mensageiros dão lugar a mensagens de texto, que flutuam na tela. O Dr. John Watson, por sua vez, é um homem simples, solitário e não mantém um diário, mas um blog.       

                 
Porém, o que poderia ser um fracasso nas mãos de alguém que estivesse preocupado em abusar da atualidade para chamar a atenção das novas gerações, se tornou uma ideia brilhantemente elaborada por roteiristas que se mantiveram fieis ao cânone e uma produção preocupada  em manter ares antiquados ao ambiente, como se observa no flat que a dupla divide no 221b Baker Street e em algumas nas locações onde se passam as ações. Agradou tanto as novas audiências quanto os mais puristas, e o resultado foi a impressionante marca de quase dez milhões de espectadores para cada episódio no Reino Unido.

Com uma montagem ágil e optando pela comédia dramática, a série gira em torno do incrível poder de dedução do sociopata que se tornou o único detetive consultor do mundo e que, se na era vitoriana impressionava por ser o único capaz de aplicar práticas forenses, hoje se mantém necessário por ser o homem mais inteligente do ambiente, capaz de enxergar e entender o que os outros não conseguem (há inclusive uma piada sobre CSI Baker Street). O arco narrativo parece se concentrar no relacionamento entre Sherlock -  personificado por um inspirado e talentoso e atrente Benedict Cumberbatch (O espião que sabia demaisCavalo de Guerra) - e  o adorável dr. Watson - agora apenas John - vivido pelo excelente Martin Freeman (The OfficeThe Hobbit), contemplado com um BAFTA no ano passado pela sua performance. Ambos solitários, os dois se encontram no momento certo da vida de ambos e enquanto Watson vê em Sherlock um amigo que lhe traz de volta à vida, Watson se torna a "audiência" que Sherlock nunca teve e que ao longo dos episódios, consegue humanizar aos poucos o personagem. É também extremamente divertida a maneira como os roteiristas criam situações dentro deste relacionamento para brincar com os rumores sobre a suposta homossexualidade entre Holmes e Watson. Em entrevistas todos os envolvidos negam que haja interesse sexual entre os personagens ou que eles se vejam como um casal homossexual, mas deixam bem claro: se alguém quiser interpretar desta maneira, tudo bem.   



A mini-série conta com duas temporadas (e uma terceira já garantida) de três episódios/files de 90 minutos de duração e  histórias inspiradas em diversos contos como "Um estudo em vermelho", "O problema final", "Um escândalo na Boêmia", "O intérprete Grego", "O Cão dos Baskervilles", "O Cliente Ilustre", referências ao "Vale do Medo" (possivelmente uma das histórias a ser devidamente adaptada na próxima temporada) e, segundo Gatiss "38 histórias só no segundo episódio [da primeira temporada, "O banqueiro cego"]". 

Embora a série não seja transmitida em nenhum canal brasileiro (mas esteja amplamente disseminada na internet), a primeira temporada pode ser encontrada no Brasil em DVD e Blu-Ray, este último por um preço mais em conta que o Box de DVDs e trazendo ainda com extras exclusivos como episódios comentados e o episódio-piloto de 60 minutos, que nunca foi ao ar. A segunda será lançada pela Log On no dia 16 de maio, mesmo mês em que estreia nos Estados Unidos, onde atores e produtores declaram esperar que se consolide o sucesso. Porém, a indústria americana é esperta e já prepara uma versão americana da série chamada "elemeNtarY", onde Holmes é um consultor aposentado da Scotland Yard e ex-viciado em drogas que se muda para Nova York (Sherlock Holmes é viciado em cocaína nos livros, mas a produção britânica optou por suavizar o tema, apenas insinuando que Holmes teria usado drogas na juventude) e Watson será vivido por ninguém menos que...Lucy Liu (As Panteras)!!! Não nada menos que bizarro este atentado.



Para os fãs que lêem em inglês, vale a pena dar uma olhada no site Sherlockology. Mantém informações das mais diversas, links, downloads e vasto material sobre a série, inclusive os sites dos personagens:

The Science of Deduction

THE SCIENCE OF DEDUCTION

Official Sherlock character site for Sherlock Holmes. Test your own powers of deduction and help Sherlock decipher a hidden message.

John Watson Blog

JOHN WATSON BLOG

Official Sherlock character site for Dr. John Watson. Read John's regular accounts of life after returning from Afghanistan. Things have certainly changed since he met Sherlock.


Para mais informações, leia também:

"Sherlock", no blog Ligado em Série (aqui)

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Entrevista: Apanhador Só

A Apanhador Só veio ao Rio de Janeiro lançar o terceiro single, "Nescafé", que será o último deste primeiro álbum. Conversei por telefone com o vocalista/letrista/guitarrista Alexandre Kumpinski e, a princípio, a matéria entraria no Scream & Yell, mas acabou sendo publicada na Revista O Grito! (que já publicou uma outra entrevista minha, com o Cícero).

A resenha do show no Studio RJ foi escrita por Marcos Xi, a meu convite e, posteriormente, eu adicionei algumas informações ao texto.

Em si, a entrevista foi estranha de fazer. Mas ouvindo o áudio depois, não foi tão complicado como eu tinha imaginado, e o resultado ficou bem satisfatório. Só clicar na imagem para ler no site da revista:


A música é uma das minhas preferidas, e ganhou um clipe belíssimo. Veja:





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25.4.12

Entrevista: Phillip Long

Phillip Long é um talentoso músico folk, que acaba de lançar seu segundo álbum "Caiçara" e já prepara o terceiro. Começou a ganhar destaque após participar da coletânea Re-Trato, do site Musicoteca em homenagem aos 15 anos de Los Hermanos, com uma versão de "Sentimental" que foi eleita uma das melhores versões pelo tecladista da banda, Bruno Medina.



Ele liberou uma música do seu álbum de Opera-Folk exclusivamente pro site e ainda bateu um papo comigo que varou a madrugada.

Começa assim:

Se o mainstream não traz boas novidades da música brasileira, o cenário independente parece viver sua melhor fase e, paralelo ao surgimento de uma indefinida “nova MPB”, começa a desenhar uma cena nacional de folk, feita por músicos inspirados tanto em Bob Dylan e Damien Rice quanto em Mumford & Sons e Bon Iver. Nesta safra, Phillip Long – alcunha musical do cantor e compositor Felipe Ferreira –, começa a se destacar e impressiona pelo ritmo acelerado em que é capaz de compor e lançar projetos diferentes em tão curto espaço de tempo. Há menos de um ano, em julho de 2011, lançou seu primeiro álbum, “Man on a Tightrope”, via Musicoteca (baixe aqui), composto durante um período difícil na vida do músico.
No início de 2012, Phillip Long passou a conceber o que seria um EP. Faltando apenas duas semanas para concluí-lo, o músico chegou no estúdio do produtor e amigo Eduardo Kusdra com o restante das faixas necessárias para se fechar um álbum cheio, e logo no início de março “Caiçara” chegou ao público, novamente através do Musicoteca (baixe aqui). “Ele é muito diferente em todos os sentidos. Exorcizei os demônios dos amores fracassados. Escrevo sobre as minhas impressões da vida, e abordei temas mais pesados para mim, por isso dei essa roupagem mais folk-rock” , disse o músico à época do lançamento. O álbum conta com dois vídeos: “Lion Heart” e “Nobody’s Happy”.
Enquanto se dedicava à promoção do disco, Phillip Long ainda participou da coletânea “Re-Trato”, em homenagem aos 15 anos dos Los Hermanos, com uma versão folk-rock para a mais que adequada “Sentimental” (baixe o tributo aqui), onde pela primeira vez pode-se ouvi-lo cantando em português. Mesmo apreensivo em trabalhar com a música de uma banda “ histórica no Brasil” e com “uma base de fãs fantásticos”, o resultado é uma das melhores versões deste primeiro volume e despertou no compositor a vontade de gravar suas composições na língua pátria: “Trabalhar com essa versão me fez crescer a vontade de um dia gravar coisas em português, ou quem sabe mesclar idiomas. Sinto que farei isso muito em breve!”.
Porém, o que o músico prepara para breve é o lançamento de mais um álbum, intitulado “Dancing With Fire: A Folk Opera”. Phillip explica que este será um disco conceitual, e, com um pouco de exagero, já considera ter parido sua “obra-prima”. “A primeira faixa se chama “Dancing With Fire (Enterlude)” e convida o público a embarcar na jornada e a última faixa leva o mesmo nome e agradece o público por ter ouvido. Como Opera Folk ele é todo baseado em violões, os arranjos são delicados, todos assinados por Eduardo Kusdra, as letras são as melhores que já escrevi. Me sinto maduro e completamente alinhado com meus propósitos. Acho que encontrei as canções certas, no momento certo”. No repertório, Phillip incluiu a faixa “We Were Giants”, que compôs para o filme de Daila Pacheco, chamado “Nós Parecíamos Gigantes”. “No fim gostei tanto da canção que acabei incluindo no ‘Dancing’”, conta.
O lançamento do álbum está previsto para maio e, para o Scream & Yell, Phillip Long liberou a faixa “It’s Hard When It Aches”, onde divide os vocais com a cantora independente Maria e já declara ser este “o terceiro e derradeiro single” (o segundo é “In God’s Name”, lançado através do site Rock’n Beats). Você pode ouvir  “It’s Hard When It Aches” abaixo com exclusividade assim como a integra do álbum “Caiçara”. Phillip Long conversou com o Scream & Yell pela internet, em um bate-papo que adentrou a madrugada, sobre seus projetos e a importância da música na sua vida. Conheçam o inspirado Phillip Long:
Clique na imagem e leia/ouça no site:




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